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O respeito é a base de tudo

segunda-feira, 22 de abril de 2013


Não vejo problema em ser chamado de "paraíba", se me chamarem tudo bem. Não se pode associar a vergonha e indignação que alguns políticos e justiça daqui, com raras exceções, nos causam com o fato de nascer e viver aqui ou qualquer lugar. A Paraíba também não é O PARAÍSO, carece de muitas coisas e a gente andando de cidade em cidade, convivendo com as pessoas têm que admitir que existem pessoas ótimas e pessoas péssimas, pobreza e riqueza, como em qualquer lugar. Mas uma coisa é certa, respeito a gente sempre quer e sempre tem que dar, independente de qualquer fato ou situação.
Perder a cabeça é natural em algumas situações. Geralmente, nas atitudes de ira, de afronta se procura explorar o ponto mais fraco, a ferida, a verdade ou mentira que mais pode irritar e desnortear outro. Neymar é fruto de uma construção cultural maior que existe há décadas. No Rio de Janeiro é ainda normal que se chamem os nordestinos de "paraíba". Só que o Rio é referência mais pra quem aqui? Favelas, violência, mesmo(?) nível de corrupção, sujeira etc. Temos problemas em comum, reconhecendo que o Rio de Janeiro é um estado mais rico e com belezas naturais maravilhosas, assim como na Paraíba existem lugares maravilhosos. Mas a mentalidade e o padrão educacional e até a própria insensibilidade de muitos faz com que se achem superiores a um ou outro grupo. Daí se originam termos depreciativos.
Da mesma forma, falar que "Neymar tem sua origem de favela e isto é o que se espera dele", como falaram nas redes sociais, é um agravante tão preocupante quanto ele chamar algum nordestino de "paraíba". Parece haver uma manifestação recíproca de preconceito, uma forma de determinismo: "quem nasce em uma favela é assim!". É errado responder injustiça com injustiça, ódio brutal e violento com ódio brutal e violento.
Acho que Neymar deveria humildemente pedir desculpas, pois é uma pessoa pública, no qual muitos jovens e crianças se espelham. Não é como outro que fala mal de qualquer grupo ou utiliza de formas camufladas e vis de preconceito. Ele possui o seu talento, está longe de ser genial, mas em comparação a muitos jogadores ele é diferenciado e possui um paraibano atuando na mesma seleção.
Quantas e quantas vezes não se viu os jogadores em campo chamando um outro de palavras tipo "fresco! viado!". Bem, são termos chulos e procuram agredir moralmente alguém, mas também destilam preconceito contra os homossexuais e estão carregados de maldade. Mas, quem já se comoveu tanto contra isso? São os meros homossexuais, vítimas de piadas, ridicularizações, escárnios etc.
Já vi uma senhora aqui em frente ao ferry-boat de Cabedelo falar: "eu sou carioca!", após isso ela dá um gole no seu copo de cerveja. Não era uma madame, não era bonita (ainda que fosse!), era um ser comum como eu, você e o que passou na cabeça dela pra falar que era carioca? Que importância isto tem pra alguém daqui? Eu não mudo meu comportamento pra japonês, angolano, suíço, chinês, americano nem pra nenhum brasileiro. O que impressiona ser paulista, carioca, mineiro, nordestino, paraibano? O que impressiona, o que é lindo no ser humano é a dignidade! É tudo ser humano com múltiplas fragilidades, falibilidades, fraquezas, possibilidades de sucesso variáveis etc.
Dizem que o povo da Índia, talvez por superstição ou complexo de inferioridade, procura tocar os estrangeiros brancos. Quem aqui na Paraíba procura tocar em um carioca, paulista, gaúcho pra ter sorte? Isso é imbecilidade, ignorância. Isso não acontece! Querer morar, conhecer um ou outro lugar é opção de cada um.
Não tenho o sotaque de nenhum lugar como ideal ou bonito. Pois o que dá sentido e vida às palavras não é a questão do sotaque, é o conteúdo do que se fala, a intenção, a clareza e toda forma de comunicação tem que ter como um dos seus princípios o respeito ao ser humano.
O preconceito é uma forma de ignorância e um escape para a expressão do interior em diferentes fases de putrefação do ser humano. É o que acho!
Desinfectar a cabeça das pessoas de toda forma de ódio e discriminação, se convivendo com o padrão educacional, psicológico, espiritual da atualidade é uma missão pra séculos!
O mal sempre vai existir enquanto existir o ser humano na forma que ele é e se mantém. Pessoas ricas humilhando pobres, alguém de certa localidade humilhando outros de lugares menos privilegiados, pessoas gordas ou magras demais servindo de ponto de referência e demonstrações de crueldade e cinismo.
O importante é que sempre exista o respeito! Sem respeito nada vale, não adianta amar ou dizer que ama, não adianta dizer que é amigo, o respeito é a base de tudo, é o que deve definir as relações e diálogos entre todos os seres.
 

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